Este blog é dedicado a todos os amantes da Natureza e ao público em geral. Mas principalmente aqueles que se interessam pelo fascinante mundo dos Lepidópteros (Borboletas). Além de tudo, este blog é um guia onde o leitor poderá conhecer e identificar as mais variadas espécies de borboletas existentes um pouco por todo o mundo.

domingo, 4 de setembro de 2022

GRANDE MIGRAÇÃO DA BORBOLETA-CAVEIRA FOI SEGUIDA DE AVIONETA DURANTE MAIS DE 80 QUILÓMETROS



. As grandes migrações de insectos acontecem por todo o mundo. A borboleta-monarca, na América do Norte, é um dos casos mais icónicos. Mas há gafanhotos que viajam por África e colónias de abelhas na Tailândia que migram na época das monções. Na Europa, as borboletas-caveira partem da Europa Central em direcção ao Mediterrâneo, podendo só parar na África subsariana, em travessias de 4000 quilómetros. Uma equipa de investigadores usou transmissores de rádio de 0,2 gramas para seguir numa avioneta a viagem nocturna de 14 indivíduos daquela espécie. Uma das borboletas foi seguida ao longo de 89 quilómetros, uma distância de monitorização nunca antes feita para insectos, adianta um estudo publicado na revista Science.
Apesar de haver biliões de insectos a fazerem todos os anos grandes viagens pela Terra, há muito mais conhecimento científico acumulado sobre este tipo de comportamento nas aves e nos mamíferos. No caso dos insectos nocturnos, como o lepidóptero (Acherintia atropos) estudado nesta investigação (chamam-lhe borboleta-caveira devido ao padrão no dorso, junto à cabeça, que faz lembrar uma caveira), conhece-se ainda menos.



“O nosso objectivo era sermos capazes de seguir as borboletas-caveira durante a migração para compreender as rotas que fazem e como respondem às condições dos ventos”, explica ao PÚBLICO Myles Menz, primeiro autor do artigo da Universidade James Cook, em Townsville, na Austrália. O cientista fez a investigação quando trabalhava no Instituto Max Planck de Biologia Animal, em Konstanz, no Sul da Alemanha, junto à fronteira com a Suíça, de onde foram libertadas as borboletas-caveira, criadas no laboratório. “Esta espécie é um óptimo sistema de estudo, já que sabemos como podemos criá-la e os indivíduos, sendo bastante grandes, podem carregar os transmissores de rádio”, refere. As borboletas-caveira, que pertencem à família de mariposas (Sphingidae)​, chegam a pesar 3,5 gramas e alimentam-se de mel que retiram directamente de colmeias de abelhas. “As mariposas entram nas colmeias, perfuram a cera usando a sua forte probóscide e sugam o mel”, descreve Myles Menz. O seu ciclo de vida não é inteiramente conhecido. Mas, em linhas gerais, os indivíduos chegam à Europa, a norte dos Alpes, durante a Primavera, e reproduzem-se. Depois, no Outono iniciam a viagem de milhares de quilómetros até chegarem a territórios mais a sul, onde passam o Inverno, voltando no ano seguinte.


Transmissor colocado na região dorsal da mariposa

A equipa de investigadores instalou os pequenos transmissores de rádio, de 0,2 gramas, na região dorsal de 14 indivíduos. Apesar de terem uma longa antena, os transmissores representavam menos do que 15% do peso dos lepidópteros e, por isso, eram suficientemente leves para os insectos os carregarem, adianta o cientista no comunicado de imprensa. Depois, em vários dias diferentes, foram libertando as borboletas-caveira após o anoitecer e seguiram o seu movimento a partir de uma avioneta.

“As borboletas-caveira foram seguidas com uma avioneta que tinha antenas de recepção nas asas da avioneta. Fomos capazes de detectar o sinal dos transmissores [dos insectos]”, conta Myles Menz. “Fazer o seguimento nocturno é bastante desafiador, mas funcionou muito bem.”

Os dispositivos colocados nas mariposas tinham 0,2 gramas


Bússola interna

A migração das borboletas é feita ao longo de muitos dias, mas os insectos descansam pousados no solo durante o dia e só reiniciam a viagem na noite seguinte. No entanto, os cientistas só seguiram as mariposas na primeira noite, até elas pousarem. Para que pudessem continuar a monitorização, na noite do dia seguinte, seria necessário que a avioneta estivesse já no ar quando as borboletas-caveira voltassem a iniciar o voo, o que poderia acontecer a qualquer momento durante a noite. Essa dificuldade fez com que a equipa só monitorizasse os insectos durante a primeira noite.

Ainda assim, a avioneta fez percursos entre uma e 3,65 horas e distâncias médias de 62,7 quilómetros, sendo o percurso máximo de 89,6 quilómetros. A avioneta foi recolhendo informação sobre a posição dos indivíduos a cada cinco a 15 minutos. Das 14 borboletas-caveira, os investigadores obtiveram localizações detalhadas para sete indivíduos. A primeira grande constatação que fizeram é que estes lepidópteros mantêm a mesma direcção da viagem independentemente da direcção e força dos ventos.

“Um voo ao longo de trajectórias tão direitas mostra que as mariposas estão a manter activamente os seus caminhos de voo”, explica o investigador. “Este tipo de trajectórias rectas é também raro em animais que migram a longas distâncias.”

Por outro lado, a monitorização dos 14 indivíduos permitiu verificar que as características do voo mudam completamente consoante o tipo de vento que os insectos apanham na viagem. Quando o vento vem de frente, os insectos voam junto à terra, para ficarem mais protegidos, e aceleram o voo para conseguirem manter a direcção desejada. Quando o vento vem de trás, eles preferem voar a uma altitude mais alta e abrandam o bater de asas, deixando o vento fazer a maioria do trabalho. Se o vento os apanha de lado, então não só voam mais perto da terra, como também inclinam um pouco a cabeça para compensarem o sentido do vento e conseguirem avançar em direcção à geografia desejada.


A rota de uma das borboletas-caveira, a partir de Konstanz, na Alemanha, em direcção aos Alpes.

“Durante anos, assumiu-se que a migração dos insectos era fundamentalmente sobre serem soprados pelo vento. Mas nós mostramos que os insectos são capazes de ser grandes navegadores, estando a par das aves, e são muito menos vulneráveis às condições dos ventos do que pensávamos”, afirma Myles Menz, no comunicado.

A pergunta lançada por esta descoberta é como é que estes insectos sabem qual é a direcção certa a seguir durante estas viagens gigantes? “Para manterem caminhos tão direitos, as mariposas têm de estar a usar alguma bússola interna para as guiar”, responde-nos Myles Menz. “Nós avançamos com a hipótese de que esta bússola poderá ser visual ou magnética.” O próximo passo será tentar descobrir como funciona aquela bússola.




Fonte: https://www.publico.pt/



domingo, 28 de agosto de 2022

JUNONIA RHADAMA - (Boisduval, 1833)


. Características: 
Popularmente conhecida por "azul-brilhante" esta borboleta pertence á família Nymphalidae. É uma espécie que possui dimorfismo sexual, ou seja, existem diferenças acentuadas entre os dois sexos. Assim o macho exibe um padrão azul-iridescente com reflexos violáceos e linhas azuis mais escuras. Este reflexo iridescente varia consoante o ângulo de incidência da luz. As asas posteriores possuem um ocelo preto e laranja que é contornado a branco e negro junto ás extremidades. A face inferior é mais discreta e confunde-se com o meio que a rodeia. Tem como fundo a cor creme com linhas e faixas irregulares castanhas e possui junto ás extremidades das asas posteriores dois ocelos. A fêmea por sua vez distingue-se do macho pelo tom mais arroxeado das suas asas e por ter dois ocelos em vez de um nas asas posteriores. A sua envergadura varia entre os 4,5 e os 5,5 cm de comprimento.


. Habitat: É uma espécie oriunda do continente africano, mais precisamente das ilhas de Madagáscar, Maurícias, Rodrigues, Reunião, Comores e Seychelles. O seu habitat consiste em zonas de pastagens ou cultivadas, semi-florestais, zonas costeiras e margens de rios e riachos. 

. Período de voo: Ao longo do ano em várias gerações.
















. Alimentação: A lagarta é castanha-escura ou negra com pequenos espinhos ramificados negros. Apresenta na zona dorsal uma faixa longitudinal de cor creme, que por sua vez possui linha preta com vários pontos alaranjados entre os segmentos do corpo. Alimenta-se de plantas do género Barleria, da família (Acanthaceae) entre elas estão; Barleria cristata L., Barleria prionitis L., Barleria lupulina Lindl. Na fase da metamorfose a lagarta tece um ponto de seda na sua planta hospedeira ou noutra superfície, onde vai se fixar na vertical para se transformar em crisálida e posteriormente em adulto.




. Observação importante: Existem cerca de 33 espécies do género Junonia.





domingo, 14 de agosto de 2022

JULIA HELICONIAN (Dryas iulia) - (Fabrícius, 1775)


. Características: Conhecida vulgarmente por "borboleta-fogo" esta borboleta pertence á família Nymphalidae. As suas asas são estreitas e alongadas, e como o seu nome comum indica, a face superior é de cor laranja-vivo no caso dos machos, podendo ou não, apresentar uma pequena mancha castanha mais ou menos prenunciada junto á margem costal das asas anteriores. As extremidades das asas são levemente contornadas a negro. A face inferior são levemente manchadas de tons acastanhados e bejes assemelhando-se a uma folha seca. A fêmea distingue-se do macho por ser mais escura, de cor laranja-acastanhado ou amarelo-torrado, com uma faixa castanho-escura que atravessa a zona sub apical das asas anteriores, sendo que as extremidades das suas asas são contornadas por uma margem mais larga a negro. A sua envergadura varia entre os 8 e 9 cm de comprimento.


. Habitat: Pode ser encontrada em trilhos de florestas tropicais e subtropicais, bem como em áreas abertas como clareiras florestais, pastagens e ao longo de margens de cursos de água, onde pousa por vezes em grupos no solo húmido para absorver os sais minerais dissolvidos aí existentes. Distribui-se desde o Sul dos E.U.A, América Central (México e índias Ocidentais) até ao norte da América do Sul ( norte do Uruguai, Argentina e norte do Brasil).

. Período de voo: Voa ao longo do ano em várias gerações.















. Alimentação: A lagarta no último instar do seu crescimento é de tons castanho-arroxeado mesclado de preto, sendo que na zona lateral do corpo possui uma fileira de manhas de cor creme. O seu corpo é revestido por longos espinhos negros ramificados. Alimenta-se de plantas da família (Passifloraceae) entre elas estão: Passiflora suberosa, Passiflora multiflora e Passiflora lutea. Na fase da metamorfose a lagarta tece um ponto de seda num ramo ou folha da planta hospedeira, onde se fixa na vertical de cabeça para baixo para se transformar em crisálida e posteriormente em adulto.










. Observação importante: É a única espécie do seu género (Dryas).  Dryas iulia pode facilmente ser confundida com a espécie Dione juno, da mesma subfamília, diferindo desta por ter maior envergadura, pelo padrão de manchas escuras das asas anteriores e por não apresentar as manchas prateadas que esta última espécie apresenta na face inferior das asas. Também pode ser confundida com Eueides aliphera, sendo esta última menor e apresentando asas anteriores mais arredondadas.