Este blog é dedicado a todos os amantes da Natureza e ao público em geral. Mas principalmente aqueles que se interessam pelo fascinante mundo dos Lepidópteros (Borboletas). Além de tudo, este blog é um guia onde o leitor poderá conhecer e identificar as mais variadas espécies de borboletas existentes um pouco por todo o mundo.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

PAPILIO MACHAON (Linnaeus, 1758)


CAUDA-DE-ANDORINHA


. Características: A Papilio machaon ou borboleta cauda-de andorinha, é uma borboleta grande e vistosa que pertence á família dos Papilionídeos (Papilionidae). 
Tem uma envergadura que vai dos 8 cm aos 10 cm. As suas asas subdivididas em pedaços de cor preta, amarelo-creme e cinza, dão um colorido contrastante a esta espécie. Nas asas posteriores possui uns 5 ocelos de cor azul e dois ocelos de cor vermelha, juntamente com um par de caudas semelhante á das andorinhas, daí o seu nome comum.



. Habitat: Em toda a Europa, Ásia, América do Norte e Norte de África.

Encontra-se em campos, clareiras de bosques, canteiros de plantas silvestres, e na montanha até aos 2500 metros de altitude.

. Período de voo: Em várias gerações, de Abril a Outubro. No Norte da Europa onde o Verão é mais curto, desenvolve uma geração. No Sul onde os Verões são longos e quentes, aparece sempre uma segunda geração e no Norte de África uma terceira.








. Alimentação: A lagarta é de cor verde com várias riscas pretas e salpicada de pequenos pontos cor-de-laranja. Quando se sente ameaçada, faz sobressair um orgão glandular bifurcado de cor alaranjado, denominado de osmaterium, que sobressai por detrás da cabeça. Este orgão produz um odor pungente e liberta um líquido tóxico, cuja função é afastar os predadores.
Alimenta-se das folhas das umbelíferas, cenouras bravas, endros, cominhos, funcho e salsa.
A crisálida encontra-se cingulada presa a um ramo ou pedra.



















. Observação importante: Os Papilionideos como esta espécie, são lepidópteros muito bonitos, e por isso, são considerados pelos coleccionadores como espécies nobres.

Outrora muito frequentes, pois abundavam as umbelíferas de que as lagartas se alimentam, hoje em dia mesmo a nível local, encontram-se ameaçadas devido á destruição do seu habitat e pela procura dos coleccionadores.



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domingo, 17 de fevereiro de 2013

CHARAXES JASIUS (Linnaeus, 1767)


BORBOLETA-DO-MEDRONHEIRO



. Características: Conhecida vulgarmente por borboleta-do-medronheiro ou Imperador, é um lepidóptero da família dos Ninfalídeos (Nymphalidae). É uma borboleta grande e vistosa, com uma envergadura de 6,5 cm a 7,5 cm nos machos e de 7,5 cm a 9 cm nas fêmeas.
O lado superior das asas é castanho-escuro, marginado por uma faixa larga de cor amarelo-alaranjado e bordejado a negro. Tem também duas caudas nas asas posteriores. A face inferior é toda ela raiada de castanho e branco, notando-se ainda nas extremidades, as faixas alaranjadas existentes no lado superior. Apresenta também quatro manchas azuis nas asas posteriores.



. Habitat: Em toda a Europa na zona Mediterrânica, excepto na costa Adriática. Aparece nas orlas marítimas quentes até aos 5000 metros de altitude. Também em parques e bosques onde correm rios, bem como lugares ondulados e rochosos onde disponha da sua planta hospedeira, o Medronheiro. Surge ocasionalmente em Espanha e Portugal acompanhando a área de distribuição de medronheiros).


. Período de voo: Em duas gerações, de Maio a Junho e de Agosto a Setembro.







. Alimentação: A lagarta alimenta-se da planta que dá o nome á espécie, o Medronheiro (Arbustus unedo), que aparece com frequência na região mediterrânica.
A lagarta é verde clara, com numerosas pintas muito pequenas. Na cabeça tem quatro prolongamentos com uma pinta avermelhada na sua extremidade. Na região dorsal apresenta duas pintas verdes grandes, e uma linha de cor amarelada na parte lateral do corpo, que a torna quase invisível na planta de que se alimenta. A lagarta hiberna em plantas verdejantes.
A crisálida fica suspensa de cabeça para baixo na planta hospedeira.











. Observação importante: As borboletas desta espécie não poisam sobre as flores, mas sobre os ramos do Medronheiro, ou sobre os frutos putrefactos dos quais sugam o seu sumo como alimento.
Possuem um sentido territorial muito forte. Para se defenderem, avançam em direcção ao intruso.






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domingo, 10 de fevereiro de 2013

BORBOLETAS JURÁSSICAS


. Já imaginou delicadas borboletas a voarem junto a gigantescos dinossauros no tempo jurássico! Pois bem, isso realmente aconteceu! Os fósseis comprovam a sua existência nessa época, ainda que num estado primitivo. As mariposas (borboletas nocturnas) viveram á cerca de 140 milhões de anos, enquanto as borboletas diurnas surgiram há 40 milhões de anos.
Do ponto de vista evolutivo, os lepidópteros constituem um grupo relativamente recente. O registo fóssil conhecido é claramente insuficiente para formar uma ideia clara a respeito dos aspectos evolutivos deste grupo de insectos. Sabe-se no entanto, que a ordem mais próxima é a ordem Trichoptera (insectos de tamanho pequeno a médio, de aspecto geral semelhante ás mariposas). Isso significa que os tricópteros sejam os ancestrais dos lepidópteros, mas ao que parece, os dois grupos emergiram de um ancestral comum, assim como o homem tem um ancestral em comum com os chimpanzés. Entretanto, esse ancestral comum entre essas duas ordens de insectos é datada em aproximadamente 250 milhões de anos, durante o período geológico denominado Permiano. Evidentemente que o grupo dos lepidópteros surgiu posteriormente a essa data. De facto são conhecidos alguns fósseis do Triássico, cuja forma se assemelha á de uma mariposa, não existindo porém, a certeza se representam mariposas primitivas ou tricópteros. Além de serem evolutivamente próximos aos tricópteros, um grupo de mariposas primitivas parece sustentar tal afirmação já que o seu aparelho bucal é formado por mandíbulas adaptadas a cortar folhas, algo incomum aos lepidópteros. Isso indica que de facto, a evolução dos lepidópteros começou de um ancestral cujo aparelho bucal não era formado por uma probóscide.



As mariposas mais primitivas coexistiram junto com os primeiros grandes lagartos do Jurássico, há cerca de 150 milhões de anos. Nos depósitos rochosos do Cretáceo, há 120 milhões de anos identifica-se inúmeros fósseis pertencentes claramente ao vasto grupo de mariposas primitivas. Apesar de não serem conhecidos fósseis de borboletas deste período, elas certamente já existiam, pois o primeiro delas foi encontrado no Eoceno, a cerca de 50 milhões de anos. No inicio do Oligocénico, há 40 milhões de anos, existiam já todas as principais famílias de borboletas e a morfologia geral das espécies fósseis é semelhante á das borboletas actuais.



. Fósseis de Lepidópteros





. Este fóssil contem um exemplar de uma borboleta da família dos Ninfalídeos (Nymphalidae), da espécie Prodryas persephone, encontrado no lago Florissant no Colorado, E.U.A, com cerca de 40 milhões de anos.





. Estes dois exemplares de lepidópteros ficaram preservados em âmbar. 



. Muitos destes lepidópteros adquiriram hábitos nocturnos em consequência da intensa predação por aves em grande expansão no período Cretáceo. De facto, o grupo dos lepidópteros surgiu a quando o surgimento das aves a cerca de 150 milhões de anos e em associação ao surgimento das grandes e diversas angiospermicas, plantas com flores. Ao mesmo tempo co-existiram junto a pequenos mamíferos e estavam também sujeitos á predação de répteis e anfíbios.

Certamente esse conjunto de factores teve um peso enorme durante a evolução do grupo das mariposas e especialmente das borboletas. De facto, o comportamento nocturno de mariposas pode ter sido uma estratégia evolutiva importante para a sua sobrevivência pelo facto das aves serem maioritariamente diurnas. Algumas famílias permaneceram diurnas, protegidas dos predadores a partir de mecanismos evolutivos ligados a propriedade gustativas aversivas e (coloração intensa de aviso contra predadores). Parece também provável que, em resposta á predação por morcegos alguns lepidópteros claramente adaptados ao comportamento nocturno desenvolveram hábitos de voo diurnos. Elas tiveram que reverter a sua preferência habitual, como acontece ainda nos dias de hoje.



A evolução dos lepidópteros está também fortemente associada á evolução das plantas angiospérmicas, das quais se tornaram dependentes. Os primeiros lepidópteros certamente tinham probóscides curtas e alimentavam-se do néctar de flores com nectários extra-florais e de outras fontes de açúcar, como a seiva. A evolução da probóscide destes insectos decorreu paralelamente com a evolução de flores com nectários menos expostos, localizados em locais menos acessíveis. O registo fóssil demonstra que as primeiras angiospérmicas apareceram no início do Cretáceo, há cerca de 130 milhões de anos, período em que todos os lepidópteros existentes tinham mandíbulas adaptadas a cortar e se alimentavam de pólen. Neste período outros insectos da família das moscas e das abelhas eram os principais polinizadores das plantas com flores e apenas no Terciário se deu a explosão de formas de angiospérmicas e em associação, a de lepidópteros, tendo início o processo de co-evolução que encerrou na mais profunda dependência mútua.






domingo, 3 de fevereiro de 2013

POLYGONIA C ALBUM - (Linnaeus, 1758)



. Características: Esta borboleta de aspecto inconfundível, é comum no Norte e Centro de Portugal e pertence á família dos Ninfalídeos (Nynfalidae). Com uma envergadura de 4,5cm a 5 cm, as suas asas têm um recorte inconfundível. A face superior apresenta várias pintas negras e acastanhadas, dispersas sobre um fundo laranja. A face inferior é castanha-clara com manchas escuras e de aspecto jaspeado, tornando a sua aparência muito semelhante a uma folha seca quando está com as asas fechadas. Possui ainda um desenho em forma de "C" branco na face inferior das asas posteriores, que caracteriza esta espécie e lhe dá o nome vulgar que a define, Comma (que em inglês quer dizer, vírgula).



. Habitat: Está distribuída por toda a Europa, Ásia e Norte de África. Outrora muito frequente, nos últimos anos não se tem vindo a verificar a sua abundância. Contudo surge com maior frequência nos bosques. Também em prados com flores, clareiras, jardins, e na montanha até aos 2000 metros de altitude.


. Período de voo: De Março até Outubro, em duas gerações. Nas montanhas desenvolve apenas uma geração. No final do Verão a borboleta retira-se para um abrigo de Inverno onde hiberna.








Alimentação: A lagarta é de cor castanho-alaranjado raiada de preto, apresentando uma mancha branca nos últimos segmentos do corpo, na zona dorsal, que é coberta de espinhos. Alimenta-se principalmente de Urtigas, mas também de Aveleiras e Lúpulo. A crisálida fica suspensa de cabeça para baixo na planta hospedeira.












. Detalhe da marca em forma de "C" que caracteriza esta espécie.

. Observação importante: A primeira geração apresenta um colorido mais vivo que os indivíduos da segunda geração.




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