Este blog é dedicado a todos os amantes da Natureza e ao público em geral. Mas principalmente aqueles que se interessam pelo fascinante mundo dos Lepidópteros (Borboletas). Além de tudo, este blog é um guia onde o leitor poderá conhecer e identificar as mais variadas espécies de borboletas existentes um pouco por todo o mundo.

domingo, 26 de março de 2017

LASAIA AGESILAS - (Latreille, 1809)


. Características: Também conhecida vulgarmente por "borboleta-safira", esta pequena borboleta pertence á família Riodinidae. As suas asas exibem um azul iridescente metalizado com reflexos acinzentados, e com pequenas pintas pretas em ambas asas. A face inferior é de aspecto marmoreado, de cor castanho e branco com pintas pretas. A fêmea por sua vez distingue-se do macho por não possuir o azul iridescente, mas sim um tom cinza-acastanhado. A sua envergadura possui em média 3 cm de comprimento.


. Habitat: Habita as florestas tropicais húmidas, bem como pedreiras e margens de rios, onde os machos têm por hábito pousar aos pares, no chão húmido, para absorverem os sais minerais aí existentes. Também é atraída pelo suor humano. Distribui-se desde o México até grande parte da América do Sul, até aos 1500 metros de altitude.

. Período de voo: ....?
O seu voo é irregular, muito rápido e perto do chão, com uma tendência de pular constantemente de local para local.









. Alimentação: A lagarta apresenta uma camuflagem muito eficaz, confundindo-se com a sua planta hospedeira. É de cor castanho-esverdeada de aspecto granulado, semelhante á cor da areia. Apresenta sobre a cabeça e na zona lateral do corpo tufos de pelos de pontas espalmadas semelhantes a espátulas, que a dissimula no seu habitat. Alimenta-se de plantas da família Fabaceae como por exemplo; Albizia. Na fase da metamorfose a lagarta fixa-se num ramo da planta hospedeira através duma espécie de almofada em seda que tece, imitando assim um pequeno galho seco devido ao seu mimetismo.








. Observação importante: Existem cerca de 14 espécies do género Lasaia.

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domingo, 19 de março de 2017

ACRAEA TERPSICORE - (Linnaeus, 1758)


. Características: De tamanho médio, esta borboleta pertence á família dos Ninfalídeos (Nymphalidae). As asas anteriores são alongadas enquanto as posteriores são mais pequenas e arredondadas. São de cor laranja com pintas pretas, sendo a margem das asas posteriores negras com uma fileira de pintas brancas. A face inferior é idêntica á superior, mas possui um tom mais rosado ou cor de salmão. A fêmea é idêntica ao macho, no entanto, é ligeiramente maior e mais pálida. Á medida que vai envelhecendo as suas asas tornam-se semitransparentes. A sua envergadura varia entre os 5,3 e os 6,4 cm de comprimento.


. Habitat: Habita espaços abertos como clareiras e orlas de florestas, prados e pastagens, em elevações de baixa altitude. Distribui-se desde a Índia até ao Sudeste Asiático. É uma espécie que ao longo dos anos se tem espalhado por vários países do Sudeste Asiático, ganhando novos territórios.

. Período de voo: É uma espécie caracterizada por possuir um voo lento mas persistente, podendo ser vista ao longo de quase todo o ano, atingindo o seu pico na estação das monções.









Alimentação: A lagarta é castanha-avermelhada, coberta por espinhos ramificados de cor negra e possui a cabeça alaranjada. Alimenta-se de plantas da família Passifloraceae, Loganiaceae, Violaceae e Turneraceae. Na fase da metamorfose tece um ponto de seda num ramo ou folha da planta hospedeira, onde se fixa de cabeça para baixo para se transformar em crisálida.












. Observação importante: Tanto a lagarta como a borboleta possuem substâncias tóxicas acumuladas no seu organismo que servem como meio de defesa se atacadas por predadores como por exemplo, aves insectívoras.
Durante o acasalamento o macho segrega uma secreção serosa que cobre uma das aberturas genitais e que endurece ao fim de poucas horas, sem obstruir o ovipositor, impedindo assim novos acasalamentos com outros machos.

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domingo, 12 de março de 2017

RESERVA NATURAL DE "SERRA BONITA" CRIADA E PRESERVADA PELO ENTOMÓLOGO VÍTOR BECKER




. Um dos maiores especialistas em borboletas do mundo é pesquisador brasileiro, nascido em Santa Catarina. Apaixonado por estes insectos e pela natureza, depois de aposentado, vendeu tudo o que tinha para salvar um pedaço de paraíso da Floresta Atlântica.



. O entomologista Vítor Becker e a sua esposa, Clemira Souza, vivem na Serra Bonita, no município de Camacan, no Sul da Bahia, Brasil. A região é produtora de cacau e ainda conserva um grande pedaço de Floresta Atlântica virgem.
Agrónomo de formação, por mais de três décadas ele trabalhou como pesquisador da Embraça a fazer a identificação e a classificação de pragas e insectos, mas foi ainda na faculdade que ele se deixou encantar pelos insectos. Durante o curso a sua relação com o professor de entomologia tornou-se muito próxima, tornando-se amigos.

"Quando eu terminei o curso eu já tinha decidido que queria trabalhar na área de pesquisa e com insectos", afirmou Becker.

Ao longo da vida, o pesquisador acabou por formar uma das maiores colecções de borboletas do mundo. Em 48 anos de trabalho Becker conseguiu reunir mais de 300 mil borboletas com pelo menos 30 mil espécies diferentes. Todas as borboletas da colecção foram colectadas na América Latina, do México ao Brasil. A sala que abriga a colecção tem iluminação e temperatura controladas para preservar a integridade dos insectos. Hoje a colecção de Becker é referência para muitos pesquisadores e estudantes do mundo inteiro.

"Tem sempre um especialista vindo aqui para poder examinar o material e eu também devo ter uns 20 a 30 mil exemplares emprestados", calcula.



Toda a borboleta quando é jovem é uma larva ou lagarta. Nessa fase algumas são consideradas pragas, porque se alimentam de folhas, frutas e folhas de plantas cultivadas comercialmente. No entanto, quando adultas, Becker lembra da importância das espécies para as plantas.

"Quase todas as borboletas são benéficas porque como se alimentam de néctar, têm que visitar as flores, e ao fazer isso elas polinizam-nas. Então, a maioria das plantas se não tivessem as borboletas, elas não conseguiriam se reproduzir", explica.

Na colecção Becker já existem mais de 5 mil espécies diferentes nativas da Serra Bonita. " Estimo que deve ter entre 12 e 15 mil espécies depois que se fizer um levantamento bem feito", comenta. Essa riqueza biológica foi um dos motivos que fizeram Becker comprar a propriedade na Serra.
"Fazendo o trabalho de campo, me questionei sobre a vantagem de ter animais mortos em museus, se não feito nada para protegê-los na natureza", conta. 
Para preservar o ambiente natural das borboletas e de muitas outras espécies de animais e plantas, Becker vendeu tudo o que tinha para comprar dois mil hectares de terra e transformar a área numa Reserva Particular de Património Natural. (RPPN).





Como RPPN a área não pode ser abatida, só pode ser usada em actividades de pesquisa e eco-turismo. Vítor e Clemira também cuidam da recepção aos visitantes que vêm hospedar-se e apreciar os encantos da Reserva, que conta com um Centro de Pesquisas, num Alojamento para estudantes, uma Pousada, vários trilhos e um miradouro com vista de 360º de toda a região.
Alguns pesquisadores têm trabalhado no inventário das espécies da reserva, e já foram catalogadas mais de 1.200 espécies diferentes de plantas, 40 ainda não eram conhecidas pela ciência. O levantamento já descobriu 430 espécies de aves, 70 mamíferos, 80 espécies de anfíbios e 30 espécies de répteis.
A Mata Atlântica brasileira originalmente cobria cerca de 130 milhões de hectares de floresta ao longo da costa Atlântica. Actualmente, resta menos de 3% da sua área original. A rápida destruição nos últimos 50 anos, a expansão das fronteiras agrícolas, a industrialização, o crescimento urbano, a caça, o abatimento ilegal e outras ameaças humanas reduziram a Mata Atlântica para menos de 800 mil hectares em fragmentos altamente dispersos. A Mata tornou-se um hotspot global, o segundo bioma mais ameaçado do Planeta.
Apesar da intensa pressão antrópica, a Mata Atlântica é a fonte de água doce de 80% da população brasileira. Embora conheçamos pouco a sua biodiversidade, sabemos que é um dos biomas mais ricos da Terra, com mais de 3.500 espécies animais, e mais de 8.000 espécies vegetais, são endémicas (só existem na Mata Atlântica).

Embarque nesta viagem no vídeo abaixo!





Para mais informação acerca deste paraíso natural pode visitar o site oficial em: http://www.serrabonita.org

Fonte: (Imagem/Video - Globo Rural - http://www.serrabonita.org)




domingo, 5 de março de 2017

PREPONA DEIPHILE BROOKSIANA - (Godman y Salvin, 1889)



. Características: Esta exótica e rara borboleta pertence á família dos Ninfalídeos (Nymphalidae). As suas asas são de um bonito azul-metalizado, com um faixa castanho-escuro desde a zona submarginal que vai desde a zona apical das asas anteriores até ás posteriores. Dentro dessa faixa possui um fileira de pequenas manchas de cor laranja, das quais, duas possuem núcleo azul em forma de ocelos nas asas posteriores. A face inferior é de tons acastanhados, com faixas irregulares delineadas a preto, exibindo dois ocelos com núcleo azul nas asas posteriores. A fêmea distingue-se do macho por ser ligeiramente maior e por  área azul das asas ser mais clara e mais estreita. A sua envergadura varia entre os 8,5 cm e os 9,5 cm de comprimento.

. Habitat: Habita a orla das florestas tropicais húmidas, bem como margens de rios, onde é vista a sobrevoar a copa das árvores, descendo até ao solo para se alimentar de frutos maduros ou putrefactos, ou absorver os sais minerais no solo húmido. É uma espécie endémica do México, e distribui-se desde a América Central até alguns países da América do Sul, como Costa Rica, Panamá, Colômbia, Bolívia, Perú, Brasil, etc.

. Período de voo: Voa de Julho a inícios de Agosto, numa única geração.








. Alimentação: A lagarta tem um aspecto muito peculiar e assemelha-se a uma folha seca enrugada  em decomposição. É de cor castanha com pequenas manchas mais claras espalhadas pelo corpo, apresentando uma linha clara na zona lateral, uma cabeça com duas pequenas protuberâncias, e um fino e longo apêndice no último segmento do corpo, dão-lhe assim o aspecto de folha seca. Alimenta-se das folhas de árvores do género Inga da família Fabaceae como; Inga vera ou Inga ruiziana. Na fase da metamorfose tece um ponto de seda num ramo ou folha da planta hospedeira, onde se fixa de cabeça para baixo para se transformar em crisálida.






. Observação importante: Está na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). É uma espécie que está ameaçada e em perigo, devido á destruição do seu habitat, para dar lugar ao desenvolvimento agrícola e ao urbanismo indiscriminado. Também é muito solicitada por colecionadores amadores, e no mercado informal tem muita procura pela sua raridade, tamanho e cor, podendo alcançar preços elevados.
Existem cerca de 12 subespécies do género Prepona.